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Sub-área: Artes - Geral
Sinopse
A tarefa de elaborar a memória do sofrimento foi colocada mesmo como um dever em nossa época. Pudera. Findo o século xx, era preciso lidar com o acúmulo de genocídios e violações que os Estados totalitários impuseram sobre os sonhos revolucionários d e liberdade que moveram tantas gerações. Em sintonia com seu tempo, a produção artística não se furtou a adentrar essa dimensão, emprestando à questão sua prática e sua reflexão. Com A gravidade da imagem: arte e memória na contemporaneidade, o prof e ssor e pesquisador Luiz Cláudio da Costa dá sua contribuição aos estudos sobre arte contemporânea, ao mostrar como uso do arquivo tornou-se decisivo como uma de suas mais importantes operações. Desdobramento de uma longa pesquisa em torno do tema, o livro se atém à inflexão histórica do ?efeito arquivo?, o qual está relacionado ao questionamento institucional da arte efêmera dos anos 1970, para uma tendência, particularmente dos anos 1990 em diante, de utilizar o arquivo como um elemento de co ns trução da memória social. Com isso, são ampliados e problematizados os procedimentos de classificação, indexação e inventariação tradicionalmente colocados, pois a arte rivaliza com a ciência à medida que trabalha com o arquivo utilizando operaçõe s p róprias ao readymade, como, por exemplo, o deslocamento e apropriação. Não se trata mais de reconstituir o ?fato?, de buscar a ?prova?, mais converter o arquivo em ?imagem?, fornecendo outras possibilidades de interpretação que este livro ajuda a dec ifrar. Em jogo estão as transformações no modo de percepção das imagens e do mundo trazidas pelo surgimento do aparelho fotográfico, que atestou nova dimensão aos procedimentos classificatórios da ciência ao alimentar a crença de que seria possí vel p roduzir um grande inventário de tudo o que é visível. Na arte, o arquivo fotográfico deve ser entendido a partir de outra semiótica da imagem, que não a reduz a seus signos visíveis. Produz-se uma zona de ambivalência em que a ausência enquanto um mo rto ganha sua potência ao operar um conjunto de disjunções em que atuam o manifesto e o latente, a presença e a ausência, a retenção e a perda. A voz silenciosa daqueles que sofrem surge nas fendas, nos vestígios, nos apagamentos. Sob essa per spectiv a, a primeira parte do livro articula arte, arquivo e memória, em um esforço de reflexão realizado não só a partir da análise direta de obras como também em diálogo com um farto conjunto de referências teóricas. Na segunda parte, são elaborad
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