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Sub-área: Artes - Geral
Sinopse
Edward Gordon Craig ocupa uma posição paradoxal entre os renovadores da cena moderna, pois, sem dúvida, é um dos principais e, talvez, dos menos compreendidos deles em seu contexto de época. A radicalidade de suas ideias e primeiras encenações em Londres no início do século XX não encontraram então o devido eco em meio a uma vida teatral intensa, mas guiada sobretudo por padrões estéticos consagrados pela bilheteria. Essa defasagem converteu-o, por um momento, em uma referência algo exótica, mas pouco prática. A natureza dessas propostas, aliada ao seu temperamento em que o traço excêntrico se aliava ao gosto pelo desafio e o combate, acabaram por isolá-lo do seu universo teatral nativo. No continente, porém, suas colocações tanto cenográficas como da arte do ator levada ao extremo na supermarionete começaram a se infiltrar em grupos de vanguarda no plano do desempenho e das concepções cênicas. Foi o caso, por exemplo, de Stanislávski, que contratou Gordon Craig mesmo tendo uma visão do fenômeno teatral oposta à dele. Esse processo se avolumou e levou à efetiva revolução teatral que, com Appia, Copeau, os expressionistas alemães, Meierhold e os inovadores russos, ganhou os palcos europeus sobretudo no primeiro pós-guerra e foi, a seguir, incorporada técnica e esteticamente nos tablados do novo teatro, fazendo parte hoje do abecedário artístico, mesmo quando está sob a égide da improvisação performática. Naturalmente, a crítica de Gordon Craig foi uma crítica acerba não só ao teatrão como ao teatro naturalista e/ou realista. O impacto do simbolismo e da síntese levaram suas realizações cenográficas e os seus experimentos interpretativos à busca da transcendência e a elevados níveis de abstração, o que se tornou parte de uma poeticidade de inspiração e encantamento para diretores, cenógrafos, iluminadores,designers e, last but not least, atores de todo o mundo. Não obstante o fenômeno ter se verificado também no Brasil, afora uma coletânea de Redondo Jr. publicada em Portugal, conhece-se muito pouco em vernáculo desse universo e de seu genial criador. Trata-se de uma falta que a editora Perspectiva, cuja presença na bibliografia teatral não precisa ser ressaltada aqui, com a colaboração de Luiz Fernando Ramos, pretende sanar, publicando o conjunto de suas principais obras. Nesse sentido, começa com um primeiro volume, Rumo a um Novo Teatro & Cena, reunindo dois livros de Craig completamente inéditos em português. Com eles o leitor poderá travar contato direto com o trabalho de Gordon Craig, suas gravuras e desenhos, sua concepção de cenografia, sua ambição e seu pensamento. [J. Guinsburg e Luiz H. Soares]
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